Será que uma jogada de bola parada vai decidir o jogo?
A nossa previsão para o jogo entre a República Checa e a África do Sul dá o pontapé de saída para a segunda jornada do Mundial. Para os adversários, este confronto parece uma pequena final, na qual as análises de IA identificaram um claro favorito. Ambas as equipas perderam o seu jogo de estreia, ambas estão sob pressão e ambas sabem que só a vitória conta. Seguindo esta lógica, na nossa previsão para o jogo República Checa vs. África do Sul, focámo-nos especificamente na questão de qual será a equipa vencedora.
Vamos resumir brevemente os acontecimentos da primeira jornada do Grupo A. A República Checa perdeu por 1-2 contra a Coreia do Sul, apesar de ter estado a vencer a certa altura. Foi um jogo que revelou de forma quase exemplar a identidade da equipa de Miroslav Koubek: pouco brilho no jogo aberto, muito trabalho defensivo e grande perigo em jogadas de bola parada e lançamentos laterais longos.
A África do Sul criou muito menos perigo de golo contra o co-anfitrião México e perdeu por 0:2. O treinador principal Hugo Broos deverá olhar com especial pesar para as duas expulsões, que o obrigam a agir e a ajustar a sua formação inicial.
Não se espera um verdadeiro espetáculo futebolístico. No entanto, a tensão e a intensidade deverão estar presentes neste confronto significativo. A Reprezentace tem, na nossa opinião, as melhores condições para conquistar a sua primeira vitória no atual Campeonato do Mundo de Futebol.
Tanto a nível individual como coletivo, a equipa de Koubek apresenta o melhor pacote global em campo. Além disso, a seleção checa tem vantagens em termos de estatura, bem como uma força evidente nas jogadas de bola parada.
Previsão da IA para Chequia vs. África do Sul
Para vos ajudar, a IA fornece análises adicionais para cada confronto. A previsão da IA para o jogo entre a Chequia e a África do Sul, baseada em vários milhares de simulações, também apontou os europeus como claros favoritos.
República Checa – Estatísticas e forma atual
Pela primeira vez em 20 anos, a República Checa volta a participar num Campeonato do Mundo. A última participação, em 2006, marcou ainda o fim de uma geração de ouro em torno de Pavel Nedved, Petr Cech, Tomas Rosicky, Jan Koller e Milan Baros. Esses tempos já acabaram.
Atualmente, a equipa não se baseia em grandes estrelas, mas sim no trabalho, na disciplina, na preparação física – e nas jogadas de bola parada. O caminho para o Mundial foi árduo. Nas eliminatórias, a seleção sofreu reveses, incluindo uma derrota histórica contra as Ilhas Faroé, que custou o cargo a Ivan Hasek.
Miroslav Koubek assumiu o comando pouco antes dos play-offs e, após duas séries de penáltis contra a Irlanda e a Dinamarca, acabou por conduzir a equipa à fase final. Isso encaixava quase na perfeição nesta equipa: não é bonita, não é fluida, mas é resistente. O treinador de 74 anos é considerado um pragmático, capaz de tirar o máximo partido de recursos limitados.
Um grande ponto forte
Durante as eliminatórias europeias para o Mundial, a seleção checa marcou mais golos em jogadas de bola parada do que qualquer outra seleção nacional. Onze dos 22 golos nas eliminatórias resultaram de jogadas de bola parada ou penáltis; nas eliminatórias, todos os quatro golos foram marcados dessa forma.
Este padrão repetiu-se contra a Coreia do Sul: mais uma vez foi um lançamento lateral, mais uma vez foi Ladislav Krejci, mais uma vez foi um remate de cabeça. Num grupo em que as diferenças não são enormes, esta qualidade pode decidir jogos. Além disso, as figuras centrais são conhecidas. Patrik Schick continua a ser o jogador ofensivo mais importante. É elegante, tem segurança na finalização e é capaz de marcar golos a partir de poucas oportunidades.
A isto acrescenta-se a força, a potência de cabeçada e a experiência de Tomas Soucek no meio-campo. Krejci continua a ser o símbolo da Reprezentace. Joga com garra, está sempre presente, é intransigente e extremamente perigoso nas jogadas de bola parada. A criatividade no jogo deve vir de Pavel Sulc e Lukas Provod. A segunda jornada dependerá, entre outros fatores, destes dois jogadores. A questão deste encontro é: o que acontece se a República Checa tiver de assumir mais a iniciativa?

África do Sul – Estatísticas e forma atual
A nível desportivo, os Bafana Bafana qualificaram-se pela última vez para o Campeonato do Mundo de 2002. Oito anos mais tarde, participou novamente na fase final do Mundial como país anfitrião. Mais 16 anos depois, a África do Sul regressou ao palco mundial, mas não se cobriu propriamente de glória na estreia.
Não foi apenas pelo resultado que o primeiro jogo contra o México constituiu um revés amargo. Foi especialmente a forma como a derrota ocorreu que ficou na memória. A África do Sul mal conseguiu criar oportunidades de ataque, cometeu um grave erro na construção do jogo logo no início, antes do 0:1, e acabou por perder o controlo das próprias emoções.
A situação agrava-se antes da segunda jornada devido aos cartões vermelhos a Yaya Sithole e Thema Zwane – o treinador principal Hugo Broos vê-se obrigado a reagir com alterações no plantel. Após esta estreia caótica, o treinador de 74 anos terá de trabalhar na reconstrução da equipa.
Disciplina no próprio terço
Taticamente, este jogo parece um duelo entre duas vias claras, mas limitadas, para chegar à baliza. Já destacámos a abordagem da seleção checa. A África do Sul, por seu lado, tentará evitar situações de bola parada e ganhar ritmo assim que recuperar a posse de bola.
Quando a seleção de Koubek avança com muitos jogadores para a área e ataca as segundas bolas, surgem espaços após as perdas de bola. Oswin Appollis, Relebohile Mofokeng ou Lyle Foster podem explorar esses espaços, sobretudo se a África do Sul conseguir fazer um primeiro passe preciso após recuperar a posse de bola.
O problema: contra o México, essa capacidade de alívio de pressão quase não se verificou. No final, a seleção sul-africana registou apenas 0,07 golos esperados. Se considerarmos os jogos anteriores, consolida-se a imagem de uma equipa com problemas no jogo ofensivo. Há seis jogos internacionais que a Bafana Bafana não vence. No total, a última classificada do grupo não marcou mais do que quatro golos nestes jogos.

República Checa – África do Sul Confronto direto / Balanço H2H
Há 29 anos, realizou-se o único confronto até à data entre estas duas nações. Na altura, a República Checa e a África do Sul defrontaram-se perante 7 500 espectadores e, ao final do tempo regulamentar, o jogo terminou sem vencedor (2:2).
Na nossa previsão para o jogo República Checa – África do Sul, a Reprezentace assume assim a liderança no confronto direto.
Previsão para o jogo República Checa – África do Sul
Este confronto não é propriamente glamoroso, mas reveste-se de enorme importância para o futuro percurso de ambas as seleções no torneio. A República Checa traz consigo a arma mais evidente e pode contar com uma via fiável em direção à baliza adversária.
A isto junta-se uma mentalidade que já superou duas séries de penáltis nos play-offs. A equipa de Koubek não desmorona facilmente. A África do Sul, por outro lado, não se apresenta em boa forma e não conseguiu criar as típicas situações de contra-ataque na primeira jornada.
Muito aponta para um jogo renhido e físico, com poucas oportunidades claras. O primeiro golo poderá mudar tudo. Se a República Checa abrir o marcador através de uma jogada de bola parada, dificilmente imaginamos um cenário em que os Bafana Bafana consigam dar a volta ao resultado.


