Será que o Japão evita perder a posse de bola em zonas críticas?
Na verdade, esta previsão para o Brasil x Japão chega cedo demais. Esta partida das oitavas de final parece mais uma das quartas de final. Pelo menos é essa a sensação que temos na nossa previsão para o Brasil x Japão: aqui vai ser eliminada uma equipa que merecia ter permanecido mais tempo neste torneio.
O Japão é talvez a equipa mais perigosa que o Brasil poderia ter enfrentado nesta fase. Não porque os Samurai Blue tenham mais estrelas. Mas porque sabem exatamente quem são. A equipa de Hajime Moriyasu está bem entrosada, é flexível e mantém distâncias precisas.
Além disso, a seleção asiática é rápida no raciocínio e ousada o suficiente para não se intimidar mesmo perante adversários de peso. Contra a Holanda, recuperaram duas vezes. Contra a Tunísia, venceram por 4-0. Contra a Suécia, bastou um empate 1:1 para garantir o segundo lugar no Grupo F – e, mais uma vez, ficou demonstrado como é difícil controlar o Japão.
No papel, a fase de grupos do Brasil parece uma história familiar de Mundial. Carlo Ancelotti está na fase eliminatória e os seus jogadores-estrela brilham. O campeão mundial recordista neste Mundial. Apesar dos receios, conseguiu evitar o confronto com as terceiras classificadas dos grupos. O Brasil ganhou ritmo e fez com que as expectativas crescessem posteriormente.
Mas esta Seleção não é a Seleção da fantasia. Não é aquela equipa que faz a bola dançar até o adversário ficar apenas a olhar para trás. O Brasil de Ancelotti é mais sóbrio, mais agressivo, mais italiano.
Previsão da IA para Brasil vs. Japão
A inteligência artificial considera o Brasil favorito em proporções semelhantes e estima que a Seleção saia vitoriosa com 56 a 57 por cento de probabilidade. No entanto, a diferença nos golos esperados calculados não é grande – a vantagem para Carlo Ancelotti e a sua seleção é de apenas 0,78 xGD. Da mesma forma, a previsão da IA para o Brasil contra o Japão aponta para uma probabilidade de pouco menos de 54% para «Ambas as equipas marcam – Não». Em conjunto, surge uma aposta de valor viável para «O Brasil vence sem sofrer golos».
Brasil – Estatísticas e forma atual
Carlo Ancelotti nunca tentou encaixar o Brasil num molde nostálgico. A sua abordagem é pragmática. Esta equipa não tem de jogar sempre de forma bonita, tem de ganhar jogos. Tem de ser capaz de defender em profundidade, de pressionar alto, de fazer a transição e de provocar erros.
A defesa em situações de bola parada assume grande importância, assim como a valorização dos jogadores individuais de exceção. Uma identidade clara e rígida interessa menos ao técnico italiano do que a capacidade de jogar várias partidas numa só.
É exatamente isso que a fase de grupos demonstra. Na estreia contra Marrocos, o Brasil ainda não foi convincente. O empate 1-1 foi um verdadeiro teste, talvez o único até agora a este nível. O Marrocos teve mais golos esperados (1,33 xG) e mais progressões com a bola. O Brasil parecia ainda à procura do seu ritmo, ainda não totalmente equilibrado.
O desejo encontra a realidade
Contra o Haiti, o resultado mudou, mas não necessariamente a ideia. O Brasil venceu por 3:0, embora os números não indicassem uma superioridade total: 49% de posse de bola, apenas sete remates, 1,42 xG. O Haiti também teve sete remates, mas apenas 0,26 xG. O fator decisivo foi a qualidade dos momentos do Brasil.
Matheus Cunha marcou duas vezes, Vinicius Júnior fez a assistência. Raphinha teve de sair lesionado, mas a Seleção não desmoronou. A equipa de Ancelotti não se limitou a gerir o resultado – esperou pelas brechas certas na organização adversária. Contra a Escócia, isso tornou-se um padrão claro. O 3:0 em Miami foi a exibição mais madura do Brasil até agora.
21 remates, 3,78 xG, nove remates à baliza e 139 toques de bola no terço ofensivo. E, no entanto, a chave não residiu, mais uma vez, na clássica posse de bola contínua, mas sim na capacidade de pressão. E essa pressão veio, mais uma vez, de Vinícius Júnior. O jogador de 25 anos está finalmente a fazer jus ao seu papel na Seleção, soma cinco participações diretas em golos e é o fator decisivo no jogo ofensivo. Exatamente como Carlo Ancelotti tinha imaginado. O facto de o Brasil ser considerado favorito para vencer o Japão é a conclusão lógica.

Japão – Estatísticas e forma atual
O Japão não está neste torneio por acaso. A equipa de Moriyasu é uma das mais bem definidas do Mundial. Geralmente alinhada num 3-4-3, com laterais que sobem, recuam, combinam e rematam. Com um ataque que se baseia menos num único ponto fixo e mais nas ligações entre jogadores. Com jogadores que, há anos, interpretam os mesmos espaços.
O empate 2-2 contra a Holanda foi, logo no início, uma afirmação de intenções. O Japão teve apenas 37,4% de posse de bola, mas acumulou 316 pressões defensivas e, apesar de estar duas vezes em desvantagem, conseguiu recuperar no final da partida. Nakamura marcou após assistência de Kubo, e Daichi Kamada empatou no final do jogo após um canto. Os valores de xG foram baixos, mas isso condizia com o jogo.
Os Samurai Blue não precisam de muitas jogadas caóticas para se tornarem perigosos. Precisam de jogadas bem definidas. Contra a Tunísia, seguiu-se o 4:0 e, com ele, o recorde: nunca antes uma seleção asiática tinha marcado quatro golos num jogo do Mundial. Ayase Ueda marcou duas vezes, Kamada marcou logo no início o golo mais rápido do Japão num Mundial e Junya Ito concluiu um ataque que começou bem perto da própria baliza.
O coletivo é a força
O empate 1-1 contra a Suécia, por fim, foi menos espetacular, mas talvez particularmente revelador. Num jogo que durante muito tempo pareceu caracterizado por uma defesa recíproca, o Japão acabou por encontrar a solução após o intervalo. Ritsu Doan utilizou Ayase Ueda como pivô. Doan encontrou Daizen Maeda com um passe perfeito na sua corrida. Um golo que pareceu quase demasiado perfeito para ser fruto do acaso.
É precisamente aí que reside o ponto forte dos Samurai Blue: conseguem, a partir de situações apertadas e aparentemente inofensivas, abrir subitamente triângulos que o adversário só percebe um passo tarde demais. Os dados do torneio também revelam a sua amplitude. O Japão conta, neste Mundial, com dez jogadores diferentes que participaram em golos – o valor mais elevado, a par da Alemanha.
Além disso, são difíceis de enfrentar defensivamente.
Contra a Holanda, o Japão defendeu em bloco baixo durante 50% das fases de posse de bola do adversário. Isso pode parecer defensivo, mas não foi passivo. O Japão consegue direcionar o adversário para determinadas zonas, compactar as alas e, em seguida, avançar rapidamente. Embora as cotações do Brasil x Japão apontem para um papel de azarão, seria, portanto, fatal para o favorito brasileiro subestimar o adversário menos cotado. Não é por acaso que, até agora, apenas três nações sofreram menos golos esperados por jogo do que o Japão (0,49 xGA/90).

Brasil – Japão Confronto direto / Balanço H2H
Neymar está novamente apto a jogar, o que deverá animar imenso os adeptos da Seleção mais versados em história. Nenhum outro jogador marcou mais golos nos anteriores confrontos diretos do que o médio ofensivo (9). Dos 14 confrontos diretos, o Brasil venceu onze – no entanto, o campeão mundial recordista perdeu um jogo de preparação por 2-3 em outubro do ano passado. Nunca antes os Samurai Blue tinham derrotado os futebolistas sul-americanos. Se a previsão de uma vitória japonesa se concretizar no confronto entre o Brasil e o Japão, isso seria, portanto, uma novidade.
Previsão Brasil – Japão
Muitas questões giram em torno de saber se o Japão conseguirá evitar precisamente aqueles erros dos quais o Brasil tira partido. A equipa de Ancelotti marcou, na fase de grupos, um número notável de golos a partir de recuperações de bola, situações de pressão ou erros dos adversários. A Escócia sentiu isso na pele. O Haiti também.
Marrocos foi o adversário que melhor resistiu a este padrão – e, imediatamente, o Brasil pareceu menos dominante. O Japão é tecnicamente e coletivamente forte o suficiente para tirar esse ritmo à Seleção. A linha defensiva de três, composta por Hiroki Ito, Shogo Taniguchi e Tsuyoshi Watanabe, aliada a um guarda-redes como Zion Suzuki, que é corajoso e tem reflexos rápidos, consegue superar as fases de pressão.
O Brasil entra neste jogo como favorito. Por causa do Vinicius Júnior. Por causa de Carlo Ancelotti. Por causa da qualidade individual. Por causa da força que surge quando esta equipa passa a estar em vantagem. Mas o Japão não é um adversário fácil. Nem para o Brasil. Nem para ninguém.


