Será que a Inglaterra terá de dar provas de paciência também no primeiro jogo da fase eliminatória?

A seleção inglesa de futebol chegou invicta à fase eliminatória deste Mundial. O quadro do torneio também dá motivos para sonhar, pois só numa potencial meia-final é que surge a ameaça de enfrentar a Argentina, uma das maiores potências do futebol. Mas, primeiro, no confronto entre Inglaterra e RD do Congo, a aposta nos «Three Lions» tem de se concretizar. De acordo com a análise da IA, isso parece ser uma mera formalidade, embora, antes dos oitavos-de-final entre a Inglaterra e a RD do Congo, seja necessário ter em conta no prognóstico que os africanos já conseguiram arrancar um empate a Portugal neste torneio.

O futebol pragmático e orientado para o resultado prevalece sobre o espetáculo. A posse de bola estruturada tem maior prioridade para o treinador Tuchel do que um jogo vertiginoso e vertical. A estabilidade na defesa tem de estar sempre garantida. É precisamente por isso que, antes do jogo a eliminar entre a Inglaterra e a RD do Congo, a minha previsão aponta para mais uma vitória sem brilho dos «Three Lions», que contam com um plantel de exceção.

Mas o que tem a oferecer o azarão da África Central? Será que, teoricamente, é possível uma vitória surpresa? A verdade é que só o facto de ter chegado à fase dos 32 já pode ser considerado um enorme sucesso para a equipa do treinador francês Sébastien Desabre. Provavelmente, muito poucos esperariam que os «Leopardos», num grupo com Portugal, a Colômbia e o Uzbequistão, conseguissem chegar à fase eliminatória como a melhor das doze terceiras classificadas.

Previsão IA para Inglaterra vs. RD do Congo

A julgar pelos valores de xG que a IA apresenta para este encontro, apenas no jogo entre a Argentina, campeã do mundo, e Cabo Verde é que os papéis estão mais claramente definidos do que neste confronto. Enquanto à equipa de Tuchel é atribuído um valor de 2,02, a RD do Congo atinge apenas 0,51 golos esperados. Daí resulta uma diferença de 1,51 golos. No entanto, como são oferecidas cotações mais elevadas para o handicap (+1,5) a favor dos africanos — ou seja, uma derrota por uma diferença máxima de um golo —, a previsão para Inglaterra vs. RD do Congo aponta, de certa forma, mais para o azarão.

Inglaterra – Estatísticas e forma atual

Embora a Inglaterra se tenha qualificado para a fase eliminatória como vencedora do grupo, a exibição dos jogadores da pátria do futebol só tem sido verdadeiramente convincente em alguns momentos. Acima de tudo, o desempenho ofensivo depende atualmente de dois jogadores: Harry Kane e Jude Bellingham estiveram diretamente envolvidos em cinco dos seis golos ingleses no torneio e foram praticamente os únicos responsáveis pela vitória por 2-0 contra o Panamá, com um golo e uma assistência. Atrás deles, tem faltado até agora consistência e eficácia – outros avançados de renome ainda não conseguiram demonstrar a sua qualidade com a frequência necessária.

Será que a Inglaterra precisa novamente de um golpe de génio de Kane ou Bellingham?

Consequentemente, cresce na ilha a preocupação com uma dependência excessiva da dupla Kane/Bellingham. Embora os meios de comunicação ingleses elogiem sobretudo a articulação cada vez mais eficaz entre os dois, salientam, ao mesmo tempo, que a Inglaterra precisa de mais contributos da linha secundária para chegar longe no torneio. Também Tuchel apela publicamente a mais apoio para os seus jogadores-chave e espera ainda mais atividade e eficiência de jogadores como Saka, Gordon ou Rashford.

Por isso, não se deve esperar um espetáculo ofensivo nem mesmo nos oitavos-de-final. Em 13 dos 17 jogos internacionais da Inglaterra disputados até agora sob o comando de Thomas Tuchel, foram marcados, no máximo, três golos – um indício claro do estilo de jogo controlado e de baixo risco dos «Three Lions». Contra um adversário que se defende em profundidade, deverá voltar a surgir um cenário semelhante ao da difícil vitória por 2-0 contra o Panamá: muita posse de bola para a Inglaterra, poucas oportunidades claras de golo e um jogo que provavelmente só será decidido por um momento de brilhantismo de Kane ou Bellingham. Por isso, as cotações para o jogo Inglaterra vs. RD do Congo, com a vitória do favorito e um máximo de três golos ao longo do jogo, revelam-se interessantes. Para esta aposta, podem obter na Interwetten uma cotação máxima de 1,75.

República Democrática do Congo – Estatísticas e forma atual

A República Democrática do Congo tem sido, até agora, uma das surpresas mais sólidas defensivamente neste Mundial. A equipa de Sébastien Desabre conseguiu um empate 1:1 contra Portugal e perdeu apenas por 0:1 contra a Colômbia, uma equipa com um ataque forte. No geral, os números também apontam claramente para jogos com poucos golos: em 15 dos últimos 16 jogos internacionais, uma aposta em «Menos de 3,5 golos» teria sido vencedora; em 13 jogos, até mesmo a aposta em «Menos de 2,5 golos». Os congoleses defendem de forma extremamente compacta, deslocam-se com disciplina e, com a sua linha de cinco defesas, fecham frequentemente os espaços entre as linhas a adversários com grande capacidade de jogo. Foi precisamente este conceito que funcionou contra Portugal e, durante longos períodos, também contra a Colômbia.

O Congo quer manter a baliza invicta o máximo de tempo possível

No ataque, a RD Congo aposta sobretudo em jogadas rápidas de transição. Com Yoane Wissa, a equipa conta com um avançado que, com o seu dinamismo e corridas em profundidade, pode criar perigo a qualquer momento. No entanto, no geral, a equipa menos favorita carece de poder ofensivo constante. O 3-1 no último jogo da fase de grupos contra o Uzbequistão, em que o referido Wissa marcou duas vezes, parece, à primeira vista, um resultado claro; no entanto, o empate só surgiu aos 68 minutos, através de um penálti, tendo os restantes golos surgido apenas a partir dos 78 minutos e, respetivamente, nos descontos. O treinador Sébastien Desabre também tinha salientado, antes deste jogo decisivo da fase de grupos, que a sua equipa atua deliberadamente de forma defensiva contra adversários mais fortes e que só teve de adotar uma postura mais ofensiva contra o Uzbequistão, porque a vitória era obrigatória.

A República Democrática do Congo irá, muito provavelmente, voltar a ajustar o seu plano de jogo para uma compactação máxima. A histórica qualificação para a fase eliminatória já provocou grande euforia no país.

Com a estabilidade defensiva, por um lado, e o estilo de jogo controlado da Inglaterra, por outro, tudo aponta para um jogo renhido, com poucas oportunidades de golo. Wissa continua a ser o jogador mais perigoso nos contra-ataques, mas será difícil marcar um golo contra a boa defesa inglesa.

Inglaterra – República Democrática do Congo Confronto direto / Balanço H2H

Pela primeira vez na história de ambas as nações futebolísticas, vai haver um confronto direto. No entanto, a Inglaterra nunca perdeu um jogo contra uma seleção africana num Campeonato do Mundo. Em nove jogos do Mundial, registou cinco vitórias e quatro empates. No entanto, contra as «Black Stars» do Gana, os «Three Lions» tiveram uma dificuldade surpreendente na fase de grupos deste ano. O resultado final foi 0-0. Por outro lado, a República Democrática do Congo também não perdeu o seu único jogo neste Mundial contra uma seleção europeia, contra Portugal (1-1).

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Inglaterra – RD do Congo: Previsão

Apesar das recentes exibições pragmáticas, considero a Inglaterra claramente a favorita. A qualidade individual dos «Three Lions» é claramente superior à da RD do Congo e, em particular, Harry Kane e Jude Bellingham já provaram várias vezes que são capazes de decidir jogos renhidos com uma jogada individual. Ao mesmo tempo, porém, há muitos indícios que apontam contra um espetáculo ofensivo. A Inglaterra joga de forma controlada sob o comando de Thomas Tuchel. Em 13 dos últimos 17 jogos internacionais sob o comando do treinador alemão, foram marcados, no máximo, três golos. Por outro lado, a RD do Congo é uma equipa excelentemente organizada defensivamente e que, em 15 dos seus últimos 16 jogos internacionais, registou menos de 3,5 golos; em 13 dessas ocasiões, o total de golos ficou mesmo abaixo de 2,5.

A minha recomendação aponta, portanto, para uma vitória soberana, mas sem brilho, dos ingleses. Acredito plenamente que os africanos consigam manter o jogo em aberto durante muito tempo e colocar a Inglaterra à prova com a sua defesa compacta. No final, porém, a superioridade individual da equipa de Tuchel deverá prevalecer. Um 2:0 parece-me o resultado mais provável, razão pela qual considero a vitória da Inglaterra, combinada com «Menos de 3,5 golos», a aposta mais interessante.

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